1 de abril de 2007

O TESTEMUNHO de Fernando Ilídio Ferreira - Professor da Universidade do Minho

Foi com enorme surpresa que soube que estava a ser equacionada a possibilidade de alguns agrupamentos de escolas serem extintos e entre eles o Agrupamento de Escolas Horizontes do Este.
Fiquei deveras surpreendido porque conheço este Agrupamento desde a sua constituição e tenho observado de perto o empenhamento, dinamismo e profissionalismo dos responsáveis dos órgãos de gestão e dos professores, o envolvimento das famílias e das instituições locais, a capacidade de inovação e a qualidade dos seus projectos e actividades.
Enquanto coordenador da Prática Pedagógica do curso de licenciatura em Ensino Básico, 1º Ciclo, da Universidade do Minho, tenho colaborado com os órgãos de gestão do Agrupamento e algumas das suas escolas e professores, nomeadamente, cooperantes da prática pedagógica, encontrando nestes contextos uma grande abertura e um extraordinário acolhimento dos estudantes/estagiários, quer em termos do ambiente humano, quer da formação e desenvolvimento profissional.
De facto, a relação entre a Universidade do Minho e este Agrupamento de Escolas tem sido profícua e exemplar, ao ponto de vários estudantes manifestarem interesse em realizar o seu estágio nas escolas que o integram, apesar de implicar a sua deslocação para fora da cidade.
Além disso, este Agrupamento foi recentemente escolhido pela Universidade do Minho para integrar a Rede de Escolas Cooperantes, com as quais celebrou um protocolo que inclui, entre outras valências, a colaboração nas actividades de Iniciação à Prática Profissional, incluindo a Prática de Ensino Supervisionada, no âmbito dos cursos de formação de professores da Universidade do Minho, agora reformulados de acordo com o processo de Bolonha.
Conhecendo bem a qualidade deste Agrupamento, nas suas vertentes organizacionais e pedagógicas, e tendo ouvido frequentes vezes responsáveis do Ministério da Educação, responsáveis autárquicos, e outros, referirem-se a ele como um exemplo a seguir por outros agrupamentos, estou certo de que também estas pessoas ficaram surpreendidas com o facto de ter sido equacionada a sua extinção e não deixarão de se pronunciar no sentido da sua continuidade: a bem de todos os que estão envolvidos, especialmente, os alunos e as famílias.
Na verdade, são os alunos e as famílias que mais têm ganho com este Agrupamento, devido às suas dinâmicas internas, mas também à forma exemplar como se tem processado a colaboração e a articulação entre o Agrupamento e a Escola que acolhe os seus alunos que concluem o 1º ciclo – o Externato Infante D. Henrique/Alfacoop –, ao nível dos recursos, das parcerias, dos projectos e actividades, assegurando a articulação curricular e a sequencialidade e continuidade educativas, não no plano retórico mas em acções concretas.
Ora, num tempo em que se reconhece o esgotamento do modelo centralizado e burocrático de organização dos sistemas educativos e das escolas e se vê na organização em rede e em parceria uma alternativa, o Agrupamento de Escolas Horizontes do Este, enquanto exemplo de boas práticas, deve ser estimulado a continuar para que possamos aprender com ele.
Estou, pois, profundamente convicto de que este Agrupamento se manterá como uma referência no nosso país, pois havendo tanta coisa a mudar, não creio que se mude o que está a funcionar bem, apenas com base em critérios administrativos.
Se houver dúvidas, devem ser ouvidas as pessoas concretas: os alunos, as famílias, os professores, os autarcas, as populações locais.
Ou não é para e com elas que as escolas existem?

Fernando Ilídio Ferreira
Professor da Universidade do Minho

10 comentários:

Anónimo disse...

concordo plenamente com a opinião deste docente da Universidade do Minho.
Temos que lutar pelo que de bom tem este país e não nos deixarmos embalar por estes políticos que tomaram de assalto este país.
Onde estão as Marias da Fonte?

Anónimo disse...

Está na altuura de Mostrar a este país quem realmente faz qualquer coisa para o mudar.
Senhores professores do agrupamento está na hora de mostrarem aquilo que valem.

Anónimo disse...

Onde está a comunidade educativa?
Onde estão os autarcas?
Onde estão os pais?

Onde estão os eleitores deste país?

João Matos disse...

Gostaria que outros docentes e personalidades tivessem a coragem de denunciar estas situações ou então mostar o que de bom se faz neste agrupamento de escolas
Os senhores jornalistas que venham ver no terreno aquilo que de bom se faz numa escola.
Infelizmente algums só noticiam os maus exemplos.

Pai e Enc. de Educ. disse...

Vamos à luta

josé dias pereira disse...

Concordo e apoio esta opinião
este país está sem rei nem roque.
é preciso gritar bem alto e dar um murro na mesa

Anónimo disse...

Foi com grande preocupação que tomei conhecimento da intenção do Ministério em encerrar este agrupamento. Gostaria de mostrar o meu apoio, pois foi nessa escola que eu aprendi a minha lição de vida e encontrei incentivos a não desistir de estudar e em não me tornar em mais uma aluna que abandona a escola. Esta será uma escola a seguir o exemplo. Já muito foi dito acerca do assunto e eu vou falar da minha experiência pessoal.
Minha mãe sempre acreditou que eu seria uma boa aluna, por isso preocupou-se em pôr-me numa escola que ela pensava ser a mais indicada. Foi em Francisco Sanches em Braga, a cerca de 15 Km, que eu fiz o meu ciclo, apesar de a escola de Ruílhe, "O Externato Infante D. Henrique" se encontrar muito perto de minha casa. Minha mãe nunca acreditou que esta seria a escola ideal para mim. Completei o ciclo sem demonstrar ser uma aluna com notas razoáveis. Então minha mãe, vendo que eu não tinha "brilhado" como aluna, resolveu transferir-me para a dita escola de Ruílhe, assim conhecida na época, pois assim também era mais económico, não havendo necessidade de gastos com transportes e alimentação, porque morava a 10 minutos da escola.
Foi com grande espanto que eu senti uma aproximação muito grande entre a escola e os alunos, não havia um distanciamento e uma frieza, motivo pela qual eu comecei a ter uma maior motivação e empenho nos estudos, tornando-me numa aluna com bons resultados, terminando o secundário com bons resultados.
Para minha infelicidade, nessa época a escola apenas leccionava até ao 9º ano, motivo pela qual tive de ser matriculada novamente em Braga, desta vez no liceu D. Maria II, para continuar os meus estudos. Minha mãe "apostava" agora mais em mim, pois eu tinha demonstrado que afinal até era uma boa aluna. Novamente o sentimento de frieza e afastamento da escola, me levaram à desmotivação e ao consequente abandono escolar, por não ter tido resultados nos estudos, não terminando o 11º ano, para infelicidade de minha mãe. Mas apesar de tudo, minha mãe não desistiu de me incentivar para continuar os estudos, mas eu não tinha qualquer motivação para continuar, não tinha incentivos por parte da escola, os professores apenas "descarregavam" as matérias, não importava como nem se eram bem ou mal assimiladas o que interessava era cumprir os objectivos.
Mais tarde e já com 22 anos e sempre com insistência de minha mãe, já trabalhadora, decidi voltar a estudar. Nessa altura, a dita escola de Ruílhe, hoje Agrupamento de Escolas Horizontes do Este, já leccionava até ao 12º ano, inclusive cursos nocturnos, motivo pela qual me matriculei nessa escola. Apesar de estudante trabalhadora consegui completar o equivalente ao 11º ano com uma média que eu considero de razoável, 14 valores.
Gostaria de fazer um apelo aos senhores Governantes se as alterações que estão a ser feitas são para o bem do aluno ou apenas a contribuir, tal como no meu caso ao abandono prematuro da escola? Estando constantemente a fazer-se apelos à luta contra o abandono escolar, gostaria de perguntar se não seria este Agrupamento um exemplo a seguir por parte das outras escolas, onde há uma grande desmotivação dos alunos?
Gostaria de demonstrar todo o meu apoio para a luta que é de todos. Força contem comigo.

Uma mãe preocupada com o futuro do seu filho, que estuda neste agrupamento.

Deolinda Vilaça de Sá

Estou Furioso disse...

Parece-me que este país está à deriva quanto ao que se entende por qualidade de ensino ou oferta dum bom serviço educativo.
Afinal isto está nas mãos dum grupo de pessoas que está acima de tudo.Vamos mostrar o nosso descontentamento. estou ao dispor

Anónimo disse...

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Fernando Pessoa

Está na hora de pôr cobro à política despótica e surda deste país.
Está na hora de lutar e mostrar que o trabalho de qualidade, as boas práticas ainda valem a pena!
É precisamente esta força que nos leva a mostar o nosso profundo descontentamento com a decisão de extinção do Agrupamento "Horizonters do Este". Afinal não são as práticas de ensino que contam mas sim os números!.
Uma professora desiludida.

Anónimo disse...

Sou professora do Externato Infante D. Henrique há quase 26 anos e conheço muito bem o trabalho de cooperação pedagógica entre esta escola e o Agrupamento de Escolas Horizontes do Este quer nível curricular, formação de professores, actividades de enriquecimento curricular, etc. Reconheço que a parceria de trabalho pedagógico cooperativo existente entre o Externato Infante D. Henrique e o Agrupamento Horizontes do Este é exemplar e grande qualidade.
Pena é que para os responsáveis políticos as boas práticas não contem!
C.F