23 de abril de 2007

Sobre uma notícia do Correio da Manhã de 23/04/2007

O Correio da Manhã, de 23 de Abril de 2007, publicou na página 8, com chamada da 1ª página uma notícia subordinada ao título "Braga - Contra o encerramento de Escola com 1400 alunos - Povo vai tocar os sinos a rebate".

A organização deste BLOG contactou a Direcção da Alfacoop e o Conselho Executivo do Agrupamento que entenderam esclarecer o seguinte:

1.
A notícia contém diversas imprecisões e não refere o essencial do que está neste momento em causa.

2.
O que está em causa neste momento é a eventual extinção do Agrupamento Horizontes do Este. Trata-se de uma decisão de carácter administrativo ou organizativo que, de acordo com garantias dadas pelos Responsáveis do Ministério da Educação, não prejudicará nem a área de influência pedagógica da Alfacoop nem a possibilidade de a Alfacoop continuar a articular pedagogicamente com as escolas do 1º ciclo e os jardins de infância da sua área de influência, a qual, garante o Ministério da Educação, deverá manter-se intocada.

3.
A criação, manutenção ou encerramento de Agrupamentos é uma competência do Ministério da Educação. Todavia, a lei prevê expressamente a criação e manutenção de Agrupamentos Horizontais, ainda que em casos excepcionais. E este é, indiscutivelmente, um caso excepcional.

4.
Tal não invalida que os pais e encarregados de educação estejam preocupados com a eventualidade do encerramento do Agrupamento.

5.
Com efeito, o Agrupamento constitui uma comunidade educativa construída ao longo de muitos anos e cimentada nos últimos seis anos de vida, com um forte sentido de pertença por parte de alunos, professores e educadores, funcionários e pais e encarregados de educação. Uma eventual decisão de extinção do Agrupamento vem esfarelar completamente esta comunidade educativa.

6.
De igual modo, a eventual distribuição administrativa das escolas deste Agrupamento Horizontal por três ou quatro Agrupamentos Verticais e o fim do projecto pedagógico comum que une estas escolas irão dificultar (embora não inviabilizem em absoluto) a articulação pedagógica entre a Alfacoop e estas escolas do seu território educativo.

7.
Por estas razões, a comunidade educativa da Alfacoop está solidária com a comunidade educativa do Agrupamento Horizontes do Este nesta sua luta contra a extinção.

8.
E é também por estas razões que a Associação de Pais da Alfacoop tomou a iniciativa de convidar as Associações de Pais do Agrupamento para uma reunião a realizar no dia 24, às 21 horas. Com efeito, a Associação de Pais da Alfacoop entende que, mesmo na hipótese de extinção do Agrupamento, as relações entre as instituições da área de influência pedagógica devem manter-se e aprofundar-se no interesse das nossas crianças e dos nossos jovens.

2 comentários:

Anónimo disse...

Esta ânsia de reformar tudo como se fosse remédio para os males que nos assolam está a distrair os portugueses da sua verdadeira condição quasi-terceiro-mundista que nos caracteriza há algumas décadas. Não é saudosismo (sou demasiado jovem para evocar esse sentimento); é antes uma revolta de me ver envolvido numa mediocridade avassaladora, resquícios de tempos paternalistas que nem uma Revolução conseguiu apagar. Continua-se a apoiar o xico-espertismo, como se de inteligência se tratasse, aplaudindo-se todo o género de ilegalidades – a começar por aqueles que (supostamente) são o garante da legalidade. Vive-se na ilusão de uma Expo98, de um Europeu de futebol e de todo o tipo de bálsamos que atenuem as amarguras de um dia-a-dia sem esperança. Somos governados por políticos sem escrúpulos, eleitos inexplicavelmente, ano após ano, por uma minoria interessada e por uma maioria que prefere se desresponsabilizar. Comentamos a todo o instante a profundidade da cova em que vamos inexoravelmente sepultando a nossa condição de povo que certo dia se rendeu aos velhos do Restelo e – parece – para sempre se perdeu.
Sou pai de um aluno do Externato. Conheço esta Escola há mais de vinte anos. Assisti e, de certo modo também sobrevivi, a momentos graves, aflitivos até, ultrapassados pelo espírito de luta e sacrifício que as suas Direcção/Administração sempre souberam demonstrar. Não acredito em levantamentos populares, irracionais por vezes, que o autismo dos nossos governantes deixará passar como as águas sob as pontes. Acredito, sim, na capacidade estratégica daqueles que se têm esforçado por manter vivo este projecto para que os nossos filhos tenham chaves para abrir as portas do futuro. Cabe-nos apoiar na medida das nossas capacidades, de forma racional e não passional, ouvindo, reflectindo, planeando e agindo, e não procurando as parangonas que nos enchem o peito mas nos esvaziam a alma, ateiam labaredas de revolta mas no fim só resta o fumaça.
Esta Escola tem-se distinguido pelo seu humanismo na relação com toda a Comunidade. Actos assim não se extinguem: perduram!

Eliana Barreiro disse...

Infelizmente, é habitual esta "confusão" dos órgãos de comunicação e até mesmo a capacidade de descobrir decisões secretas já tomadas pelo governo. Afinal, o grande objectivo é vender jornais e quanto mais se espalhar a incerteza, mais o povo procura informação. E o povo somos nós!
Também é habitual, neste país que é nosso, exterminar boas práticas de trabalho, sem que se atenda às provas irrefutáveis dos seus benefícios. A prevista distribuição administrativa das escolas deste Agrupamento Horizontal por três ou quatro Agrupamentos Verticais irá com toda a certeza dificultar a articulação pedagógica entre o Externato Infante D. Henrique e estas escolas do seu território educativo e, sobretudo, levar ao extermínio de práticas pedagógicas de valor inestimável. É esta a situação que a nossa Escola vive actualmente, mesmo após tanto esforço e trabalho…
Trabalho nesta Escola como professora há cinco anos, mas já a conheço há muito mais tempo como aluna. Os critérios de excelência que aqui sempre foram uma condição inequívoca e que um dia me fizeram ter o sonho de regressar, desta feita enquanto profissional, transcenderam-me pelo rigor com que vim a encontrá-los quando consegui concretizar esse sonho. Todos que aqui trabalham dedicaram muito de si a esta Escola, porque sempre acreditaram na sua missão e eu fui desde logo contagiada por esse sentimento.
No entanto, neste momento assola-me sobretudo um sentimento de profunda e terrível injustiça perante esta situação! Não é justo que depois de tanta dedicação e empenho pessoal nos tirem aquilo que ninguém, desde os alunos, passando pelos pais, até à comunidade envolvente, que ver destruído!
Há um poema de Ricardo Reis que adoro porque me inspira:

Para ser grande, sê inteiro:
nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive.

Começo a perder a crença nestas palavras… Começo a perder a crença neste nosso pequeno país à beira mar plantado… Mas ainda acredito que possamos lutar. De forma racional, pensada, efectiva. E sobretudo com as emoções bem seguras, para que não nos atraiçoem. Precisamos ter cuidado com as parangonas dos jornais, com a fumaça! E assim talvez se cumpra a Justiça…