1 de maio de 2007

Ofício da DREN: Comunicação da extinção do Agrupamento

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7 comentários:

Anónimo disse...

Da leitura deste documento fico na dúvida no que concerne à aplicação do último parágrafo. A transição aí preconizada vigora para o ano lectivo 2007/2008 e seguintes? Como encarregado de educação de um aluno do 3º ano da escola de Tebosa, gostaria de ser esclarecido no sentido de saber se posso matricular o meu filho no Externato Infante D. Henrique no ano lectivo 2008/2009. Penso que os pais e encarregados de educação do Agrupamento devem mobilizar-se para obter garantias de que no futuro podem matricular os seus filhos no Externato de Ruílhe. Na parte que me toca, o meu filho não vai frequentar a escola de Tadim.

João disse...

Da definição de TRISTEZA:
"Tristeza ou desgosto é um sentimento humano que expressa desânimo ou frustração em relação a alguém ou algo. É o oposto da alegria.
A tristeza pode ser originada da perda de algo ou de alguém que se tinha de muito valor;
É comum a tristeza ser descrita como algo amargo, ou como uma dor, ou como sentimento de incapacidade, ou ainda como algo escuro (trevas)."

Na minha perspectiva acho que devemos lutar até ao fim. Não se admite que Ministério da Educação proceda ao encerramento do NOSSO agrupamento sem que ouça toda a comunidade envolvente. Será que o regime politico do país mudou sem que o os cidadãos sem apercebessem? Estaremos nós ainda numa democracia? Fica a pergunta!!!

Anónimo disse...

26 anos de luta, 26 anos de sacríficios, 26 anos de entrega, de dedicação a uma causa, 26 anos de ensino e a transmitir conhecimentos, emoções, alegrias, motivações ... e agora?
Recuso-me a aceitar a morte lenta do Externato Infante D. Henrique que é isso que os senhores do ministério pretendem.
Lutei por esta Escola, pelo seu projecto educativo, pelos seus alunos e não é agora que vou desistir.
Podem contar comigo para todas as lutas, recuso-me simplesmente a aceitar uma morte lenta desta instituição.
Vamos à luta

Um pai disse...

Este documento levanta, na verdade, muitas questões e muitas dúvidas:

A primeira é a da competência do Senhor Director Regional Adjunto para tomar esta decisão e assinar este documento. Ou então, se este documento é um mero ofício a dar conhecimento duma decisão de alguém superior, é muito importante conhecer o autor e o teor exacto dessa decisão.
Para isso, acho que a Assembleia do Agrupamento devia reunir-se com urgência e exigir ser informada do teor da decisão de extinguir o Agrupamento, da sua fundamentação, etc.
E se por acaso houver fundamentos bastantes, com o apoio dos pais e das Câmaras Municipais até porque todas elas discordam da extinção, deve ser apresentada queixa ao Provedor de Justiça e deve também ser estudada a possibilidade de recurso ao tribunal, através de uma providência cautelar com efeitos suspensivos e de um processo judicial destinado a contrariar esta decisão e a evitar que ela se torne efectiva.

Do ponto de vista político, é chocante ver como os argumentos contidos nos dois primeiros parágrafos são completamente contrários àquilo que diz o Programa do Governo.
Realmente, este agrupamento vai ser extinto porque é diferente e o poder político não reconhece o direito à diferença.
Mas o certo é que o decreto-lei nº 115-A/98 ainda não foi revogado ou alterado e prevê de forma explícita a existência de agrupamentos de escolas como o nosso: com jardins de infância e escolas básicas do primeiro ciclo.

Não restam dúvidas de que não são as "finalidades educativas" que levam à extinção do nosso agrupamento mas sim outras razões organizativas (financeiras... economicistas...) as quais, se o programa do Governo fosse levado a sério, seriam tratadas como meramente instrumentais e nunca teriam suportado esta decisão.

Como encarregado de educação, aderi às conclusões da reunião de pais do dia 24 de Abril.
Mas este documento não responde às nossas exigências e não preserva de forma nenhuma a área de influência da Alfacoop, não garante que os nossos filhos possam continuar a frequentar gratuitamente a Alfacoop depois do primeiro ciclo e não cria condições para que os professores da Alfacoop continuem a articular pedagogicamente com os professores e os educadores das escolas desta área com a finalidade de integrar sem sobressaltos os nossos filhos no 2º ciclo.

Sabemos que tem sido feita uma avaliação diagnóstica dos alunos em Língua Portuguesa e em Matemática à entrada no 5º ano, no início de cada ano lectivo, através de um processo colaborativo entre os professores da Alfacoop e do Agrupamento, com vantagens educativas para todos: alunos e professores das duas escolas.
Vai continuar a ser feita?

Sabemos que os professores de ciências da Alfacoop apoiam os alunos e os professores do 1º ciclo em actividades experimentais na área de Estudo do Meio.
Isto vai continuar a ser feito?

Sabemos que os professores da Alfacoop colaboram com o Agrupamento nas áreas das Expressões (artes plásticas, psicomotricidade, etc.).
Será que podem continuar a fazê-lo?

Sabemos que os nossos filhos participam em actividades de integração no 2º ciclo ao longo do 4º ano, através do Projecto Sementinha, já com vários anos de experiência mas que tem evoluído para melhor.
Esta decisão permite a continuidade do Projecto Sementinha?

Sabemos que as crianças do Agrupamento com dificuldades de aprendizagem ou com necessidades educativas especiais são acompanhadas e apoiadas pelos Psicólogos e outros Técnicos da Alfacoop na pré-escolar e no 1º ciclo.
Vão poder continuar a desenvolver este trabalho?

Sabemos que estas crianças ingressam no 2º ciclo e continuam se ser acompanhadas pelo tempo necessário por um Professor do 1º ciclo para facilitar a sua integração e também para ajudar os professores do 2º ciclo da Alfacoop a lidar melhor com essas situações.
Perante esta decisão, esta cooperação cujos beneficiários são as crianças com mais dificuldades vai poder manter-se?

Os professores da Alfacoop colaboram no projecto de Escola a Tempo Inteiro que parece tão caro à Senhora Ministra da Educação.
Essa colaboração pode continuar?

Sabemos que os técnicos de informática da Alfacoop colaboram com o Agrupamento na manutenção dos equipamentos de informática das escolas e dos jardins de infância.
Vão continuar?

Sabemos que os professores de TIC da Alfacoop têm organizado formação para pais, professores e educadores.
Podem continuar a fazê-lo?

O Forum das Necessidades Educativas Especiais é organizado pela 4ª vez no próximo sábado em resultado da cooperação entre a Alfacoop e o Agrupamento.
Esta iniciativa vai poder continuar?

Parece-me claro que a resposta a todas as nossas questões é NÃO porque o último parágrafo do documento é ambíguo (diz tudo e nada diz) e, principalmente, porque, na ausência duma regulamentação clara, tudo vai dependar da boa ou da má vontade dos dirigentes dos agrupamentos verticais aos quais querem "anexar" as nossas escolas e, por arrastamento, os nossos filhos.

Defendo que os pais não devem dar esta causa por perdida e devem procurar anular por todas as vias possíveis a decisão anunciada por este documento.

A AGRUPAMENTO AINDA NÃO FOI EXTINTO.
ESTE DOCUMENTO SÓ DIZ QUE VAI SER EXTINTO!!!
E ISTO SÓ ACONTECERÁ SE OS PAIS DESISTIREM DA DEFESA DOS SEUS DIREITOS.

Para isso, os nossos representantes na Assembleia do Agrupamento devem solicitar a realização duma Assembleia extraordinária para debater este assunto e devem organizar e liderar a contestação, de uma forma articulada com a CONFAP.

Os nossos representantes devem também procurar o apoio das Câmaras para uma possível providência cautelar porque as autarquias não foram ouvidas por quem decidiu (e tinham de ser ouvidas e a sua vontade tinha de ser respeitada) e também porque as Cartas Educativas foram aprovadas ainda há pouco tempo pelos órgãos autárquicos competentes com os pareceres prévios dos Conselhos Municipais de Educação e já estão a ser contrariadas e postas na gaveta pelo poder central.

Perante esta situação calamitosa, só a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão convoca o Conselho Municipal de Educação ao qual compete acompanhar o processo de elaboração e de actualização da carta educativa?

Onde está o PODER LOCAL cujo aniversário estivemos a comemorar há tão pouco tempo?

Finalmente, peço aos nossos representantes que convoquem reuniões de pais em todas as escolas e em todos os jardins de infância para serem devidamente esclarecidos, para apoiarem e revitalizarem as associações de pais já constituídas e para as criarem onde ainda não existem. Neste aspecto o apoio técnico da Associação de Pais da Alfacoop e das estruturas da CONFAP é muito importante.

Não podemos deixar-nos abater porque a procissão ainda vai no adro. Temos de ter confiança na nossa capacidade de convencer os políticos da nossa razão.

Não estamos aqui a defender interesses egoistas ou interesses privados. Estamos a defender o direito de os nossos filhos terem uma educação de qualidade na escola que já foi nossa e que queremos que seja também a escola dos nossos filhos.
E que isto não seja válido apenas para o ano de 2007/2008...

Não queremos privilégios.
Queremos só que reconheçam os nossos direitos e os direitos dos nossos filhos.

O serviço de educação que é prestado pela Alfacoop é tão público como o das outras escolas para as quais querem mandar os nossos filhos.
Esta escola nunca recusou receber alunos por terem dificuldades de aprendizagem, por serem de origem familiar ou social mais modesta, por serem moradores nesta ou naquela freguesia mais pobre ou por terem uma qualquer deficiência.
A Alfacoop sempre procurou integrar estas crianças mais "difíceis" e, quando foi preciso, adaptou as instalações às situações novas com que foi confrontada, fez a formação dos seus professores para melhor lidarem com essas situações, fez protocolos com outras instituições especializadas, realizou actividades de integração pré-profissional específicas para esses alunos, etc.

Este projecto de escola de serviço público envolvendo um agrupamento de escolas do estado e uma cooperativa de ensino, numa área geográfica em que já há demasiados factores a "puxarem para baixo" não pode perder-se.

Está nas nossas mãos...

Nota final: Esta decisão cabe aos pais que não podem nem devem esperar que sejam outros a liderar este processo. Somos os primeiros e principais interessados. Só temos de encontrar formas de articulação entre nós e de agir de forma coerente com os nossos objectivos.

Sabemos a força que temos.
Só precisamos de saber como e quando usá-la.

Um pai

Madalena Vieira disse...

Durante muitos e longos anos, os habitantes das freguesias de Ruílhe, Cunha, Arentim, Tebosa, Bastuço São João, Bastuço Santo Estêvão, Sequeade, Cambeses e Nine habituaram-se a ser os parentes pobres dos seus concelhos. Nestas terras fronteiriças de concelho, as infraestruturas sempre teimaram em não chegar: as estradas, a iluminação pública, a distribuição pública de água, o saneamento, os transportes públicos…. E claro, as escolas.
A necessidade de unir forças para construir a própria comunidade rapidamente se enraizou no espírito desta gente.
Foi neste contexto que nasceu o Externato Infante D. Henrique, quando a falta de vagas nas escolas públicas obrigava as famílias mais desfavorecidas a limitar a escolaridade dos seus filhos à então 4ª classe.
E foi neste contexto que nasceu o agrupamento de Escolas Horizontes do Este, quando as escolas públicas existentes na altura não tinham capacidade para receber os alunos dos tais “parentes pobres” do concelho.
Da necessidade, união e cooperação entre estes dois grupos de ensino nasceu um projecto educativo de qualidade, hoje elogiado por todos os organismos que tomam conhecimento do trabalho desenvolvido.
Força, determinação, persistência, cooperação, motivação, rigor são as palavras de ordem deste projecto educativo.

Como aluna do Externato Infante D. Henrique nos anos 80 senti as dificuldades económicas desta escola apenas superadas pelo o esforço e dedicação da Direcção Pedagógica. Como aluna, senti o rigor da disciplina na luta pelo absentismo dos alunos, quando nas escolas oficiais reinava a falta (quando nenhuma) disciplina e o laxismo do “sistema”, que os professores tanto culpavam.

Como docente do Externato Infante D. Henrique nos anos 90 conheci a persistência de uma Direcção Pedagógica unida e convicta em mudar “o sistema”, na luta pelo abandono escolar e pelo absentismo dos seu docentes, quando nas escolas oficiais as constantes faltas dos professores foram resolvidas por aulas de substituição (10 anos mais tarde...). Nessa altura, os alunos abandonavam a escola pública à menor contrariedade. No Externato Infante D. Henrique, a Direcção Pedagógica procurou a resposta ao problema pela via da motivação da frequência escolar…e conseguiu.
O empenho na luta contra o abandono escolar e pelo sucesso de integração dos alunos na vida activa ou no ensino superior é a preocupação dominante deste projecto. E tem demonstrado resultados ano após ano.

Como mãe de dois alunos do agrupamento de Escolas Horizontes de Este estou agora preocupada. Tenho assistido ao trabalho desenvolvido nesta área nos últimos 5 anos. Aqui os nossos meninos são acompanhados durante todo o processo de escolaridade dando especial atenção às transições de ciclo. Aqui, as crianças com necessidades especiais são acompanhadas por profissionais com experiência, com continuidade e com carinho.
Hoje em dia, o insucesso, o abandono e a violência escolares são o grande flagelo das escolas oficiais. Neste projecto pedagógico estes problemas não existem, porque já foram banidos há muito tempo, quando se definiram as prioridades deste projecto, e enquanto nos gabinetes da administração pública se fazia retórica sobre o assunto.

Este agrupamento foi extinto por vontade de algum “iluminado” que decidiu riscar num papel o “horizontal” e manter o “vertical”, sem sequer verificar o trabalho exemplar que foi desenvolvido durante anos. As nossas crianças ficaram a perder. Todos nós ficamos a perder. Fica a promessa de continuidade de cooperação com estabelecimentos de ensino particular e cooperativo como é o nosso Externato Infante D. Henrique. Mas todos nós sabemos o que vale uma promessa vinda de um ministério. Esta promessa terá de ser regulamenda. A palavra dos políticos vale muito pouco hoje em dia….
O futuro do ensino apresenta-se muito incerto. Fecharam o agrupamento. O que vem a seguir? Recuso-me a acreditar na morte lenta do ensino cooperativo. Os próximos tempos vão ser difíceis para os nossos filhos. Mas eu tenho uma certeza: enquanto existir o Externato Infante D. Henrique os meus filhos não vão frequentar a escola de Tadim.
CUSTE O QUE CUSTAR…

Joaquim Ferreira disse...

Lamentavelmente a falta de perspectiva para as dinâmicas dos Agrupamentos criados de forma emergente e organizada para dar resposta cabal e adequada às dinâmicas educativas de um determinado contexto, vêm hoje dar razão a uma afirmação por nós proferida em Braga, numa conferência da iniciativa do CAE de Braga na Universidade do Minho.
Estgava-seentão ainiciar o processo de criação de Agrupamentos.
Curiosamente (ou talvez não!) os Governantes que aliciaram os professores quando necessitaram de criar dinâmicas que levassem à destruição do sistema organizativo anterior das escolas do 1.º Ciclo.
chamaram os professores e fizeram com que eles (algns, claro) acreditassem nas virtualidades da Autonomia. Houve mesmo professores que "embandeiraram em arco" pensando que chegariam longe!... Desejo de Poder? Não sei.
Mas que os governantes nunca me enganaram... não! Nem mesmo o Pai desta Autonomia: Dr. João Barroso, que nunca mais apareceu a defender a sua tese...
Pois bem. Foi nesse dia que, em face do que perspectivava para este processo, numa visão prospectiva (ou simplesmente antecipando, por dedução, a forma como o Governos conduziriam o processo), afirmavamos em 1998, quando todos parciam querer sentar os Delegado Escolares "no banco dos réus" pela falta de dinâmica fruto dos recursos financeiros nulos (ou quase) de que dispunham aqueles: "Estão aqui a querer fazer o julgamento das Delegações? Pois, muitos ainda hão-de chorar pelas Delegações!"
Aqui têm o agradecimento dos Governos ao Trabalho desenvolvido pelos professores que neles acreditaram...
Aliás, desafio-os a ler o texto publicado no Blog copiando o seguinte:

http://atequeotecladoserompa.blogspot.com/2007/05/da-autonomia-conquistada-autonomia.html

E que tudo de bom possa acontecer a quem estava, de facto, empenhado no sucesso das crianças desse agrupamento... Por certo, muito mais que os governantes, sejam eles de que nível forem, pois estamos certos de que "o dinheiro falará sempre mais alto".

Anónimo disse...

Eu proponono a todos os pais deste território educativo que naão compareçam ou façam mesmo um boicote aos actos eleitorais para estes políticos que agora não querem saber de nós para nada.E nessa altura volatemos a falar do nosso agrupamento e do estado do sistema educativo. E eles que venham dizer que não somos civilizados.